Administração hospitalar

Mulheres da Amazônia que cuidam, lideram e transformam a saúde pública

Gestoras de dois dos maiores hospitais da capital paraense compartilham desafios e experiências na liderança da saúde pública.

Autoria
Por Giordanna Pinheiro
Local e data
Belém (PA) · 31 de agosto de 2026
Fotografia
Cristiano Pantoja
Leitura
12 min de leitura
Nelma Machado e Cristiana Braga, gestoras de dois dos maiores hospitais de Belém
Nelma Machado, diretora-geral do Hospital da Mulher do Pará (HMPA), e Cristiana Braga, gestora do PSM da 14 de Março, à frente de dois dos maiores hospitais de Belém. Foto: Cristiano Pantoja

Aos 40 anos, Ana Magda Silva encontrou no Hospital da Mulher do Pará (HMPA) mais do que o atendimento necessário para realizar uma cirurgia. Moradora de Benevides, na Região Metropolitana de Belém, ela conta que se sentiu acolhida e segura durante todo o processo, desde a chegada à unidade até o pós-operatório.

Ana Magda passou por uma cirurgia para retirada de uma hérnia incisional. A consulta foi realizada no dia 17 de julho e, em 13 de agosto, ela foi internada para o procedimento. Segundo a paciente, a cirurgia foi rápida e ocorreu bem. Esta foi a segunda cirurgia realizada por ela. No ano passado, passou por uma histerectomia total.

“Me sinto mais segura sabendo que são mulheres”, conta Ana Magda.

A paciente destaca a qualidade do atendimento recebido durante a permanência no hospital. Ela elogia a alimentação, a organização da unidade e o acompanhamento da equipe de enfermagem, que, segundo ela, esteve presente durante todo o período de internação.

“A comida é boa, o atendimento é ótimo. Fiquei sozinha no quarto, e tinha enfermeira o tempo todo acompanhando. A cirurgia foi ótima”, relata.

Para Ana Magda, o cuidado também aparece na estrutura oferecida pelo hospital. Durante o atendimento, ela realizou exames e ultrassonografia na própria unidade. Além disso, destaca a realização de palestras voltadas à saúde da mulher.

“É muito organizado. Sempre tem palestra sobre a saúde da mulher”, afirma.

Ana Magda Silva, paciente atendida no Hospital da Mulher do Pará
O relato de Ana Magda representa uma das experiências vividas pelas mulheres. Foto/Reprodução

O relato de Ana Magda representa uma das experiências vividas pelas mulheres atendidas no HMPA, unidade criada para oferecer assistência especializada à população feminina. O hospital recebe pacientes de diferentes municípios e reúne profissionais responsáveis não apenas pelo atendimento direto, mas também pela organização e gestão de uma estrutura voltada exclusivamente às mulheres.

É nesse cenário que estão duas das profissionais que ocupam posições de liderança na saúde pública paraense: Nelma Machado, diretora-geral do Hospital da Mulher do Pará (HMPA), e Cristiana Braga, gestora do Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14 de Março.

A experiência de Ana Magda ajuda a revelar, pelo olhar de quem está do outro lado do atendimento, como decisões de gestão se refletem na rotina de pacientes. Por trás da organização, dos protocolos, do acolhimento e da assistência estão mulheres responsáveis por conduzir equipes e tomar decisões que impactam diretamente o funcionamento dos serviços de saúde.

Com mais de 30 anos de trajetória no Sistema Único de Saúde (SUS), Nelma construiu uma carreira entre a medicina e a gestão. Já Cristiana chega ao comando do PSM da 14 com experiência em auditoria, gestão municipal e passagem pelo Pronto-Socorro do Guamá, onde permaneceu por um ano e seis meses. Em comum, as duas têm a atuação em posições estratégicas de uma área marcada por desafios diários e pela necessidade de decisões rápidas.

“Eu estou à frente da diretoria geral, mas é uma construção conjunta de todos. Eu sempre falo para eles: vocês são co-gestores. Então, o meu resultado é o resultado de vocês, o resultado de vocês é o meu resultado.”
Nelma Machado, diretora-geral do HMPA

Entre a medicina e a gestão

A trajetória de Nelma começou na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, onde se formou e iniciou a vida acadêmica e profissional. Médica intensivista, ela explica que a própria especialidade contribuiu para desenvolver habilidades de liderança, comunicação e tomada de decisões.

“O médico intensivista se volta muito à liderança de equipes. Então, na nossa formação, a gente tem que aprender a liderar, a comunicar, a tomar decisões, e tem que ser decisões rápidas, porque são pacientes críticos que chegam à terapia intensiva”, explica.

Ao longo da carreira, Nelma também atuou em segurança do paciente, análise de óbitos, formação de profissionais, comissões e projetos de melhoria da qualidade. A experiência fez com que a gestão se tornasse parte cada vez mais presente da sua atuação.

“Nós somos co-gestores. Então, a comunicação da alta liderança vai até a operação. E quem vai colocar o que a alta liderança está pensando na prática é a operação”, afirma.

Depois de atuar diretamente na assistência e na beira do leito, ela passou a assumir funções de gerência e direção até chegar ao comando administrativo do HMPA.

Para Nelma, estar à frente de um hospital voltado exclusivamente às mulheres representa a continuidade de uma trajetória construída durante décadas.

“Na minha trajetória de 30 anos no SUS, é um grande presente”, conta.

Um hospital voltado para as mulheres

O Hospital da Mulher do Pará foi criado para oferecer atendimento especializado à população feminina e reúne diferentes linhas de cuidado. Entre elas estão o atendimento às vítimas de violência, endometriose, dor crônica, fibromialgia e outras condições que exigem assistência especializada.

Para Nelma, assumir a direção da unidade também significou construir uma estrutura de atendimento capaz de acolher mulheres em situações de vulnerabilidade.

“Eu vejo como um grande propósito. A primeira porta de urgência e emergência voltada à violência para mulher. Então era um nicho que precisava desse olhar”, afirma.

A unidade também adotou estratégias específicas para o acolhimento de mulheres vítimas de violência. Segundo Nelma, a decisão de manter profissionais mulheres no primeiro atendimento levou em consideração o trauma vivido por algumas pacientes.

“A gente tenta manter na porta mulheres, porque elas já vêm traumatizadas. Muitas vezes elas sofreram abuso do cônjuge. Então, encontrar um homem, a gente percebia o que causava”, explica.

O protagonismo feminino também aparece na composição da equipe. Dados divulgados pelo Governo do Pará apontam que 78% do corpo técnico do HMPA é formado por mulheres. Entre os coordenadores assistenciais, apenas um é homem.

Para pacientes como Ana Magda, a presença feminina também contribui para a sensação de segurança durante o atendimento. Ela conta que percebe esse cuidado em diferentes etapas da passagem pelo hospital, desde a recepção até a cirurgia.

Para entender a gestão pública

Marca do Conselho Federal de Administração

Quem é o administrador público

O administrador público é um funcionário apto a desenvolver serviços de gestão de políticas públicas, elaboração de programas governamentais, implementação de programas de responsabilidade social e de gestão de organizações sociais. É essencial que o profissional tenha aptidão em liderança e gerência de operações, além de dominar conceitos administrativos.

Fonte: Conselho Federal de Administração

O que é administração pública

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (…)

Administração pública é o conjunto de órgãos, serviços e agentes do Estado que procuram satisfazer as necessidades da sociedade, tais como educação, cultura, segurança, saúde, etc. Em outras palavras, administração pública é a gestão dos interesses públicos por meio da prestação de serviços públicos, sendo dividida em administração direta e indireta.

Fonte: Jusbrasil

Os números da longevidade em Belém

37,5%

da população de Belém terá 50 anos ou mais em 2040

IBGE — Projeções de População

R$ 2.250

é o gasto médio mensal com cuidados diretos por idoso de 70 a 79 anos

Estimativa com base na POF e PNS/IBGE

58,4%

dos leitos de internação clínica/geriatria do SUS em Belém são ocupados por pacientes 60+

DATASUS / SIH-SUS

1 em 4

hospitais da capital (28%) tem uma mulher na Direção Geral

CNES / Ministério da Saúde

O que os dados mostram sobre envelhecer no Pará

Gráfico 01

A cidade envelhece antes da rede

Percentual da população de Belém com 50 anos ou mais, por ano.

Fonte: IBGE — Censo Demográfico e Projeções Populacionais por município

Gráfico 02

Quanto custa o cuidado, por idade

Gasto mensal médio estimado por pessoa, em reais, dividido entre atendimento, medicamentos e cuidador/apoio.

Fonte: estimativas com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE) e PNS

Gráfico 03

Elas sustentam a base, mas dirigem pouco

Participação feminina por nível hierárquico nos hospitais da capital, em percentual.

Fonte: CNES / Ministério da Saúde — base de gestores e profissionais de saúde

“Eu estive em mesas onde a única mulher era eu. A única mulher gestora naquela mesa com 12, 15 homens.”
Nelma Machado, diretora-geral do HMPA

Gráfico 05

Por que os idosos internam em Belém

Percentual das internações hospitalares no SUS da população com 60 anos ou mais, por grupo de causas.

Fonte: DATASUS / SIH-SUS — Sistema de Informações Hospitalares

Duas gestoras, duas trajetórias

Quem comanda a saúde pública em Belém

Nelma Machado, diretora-geral do HMPA

Nelma Machado

Diretora-geral · Hospital da Mulher do Pará (HMPA) · Mais de 30 anos no SUS

Nelma Machado, diretora-geral do Hospital da Mulher do Pará (HMPA). Foto: Cristiano Pantoja

“O médico intensivista se volta muito à liderança de equipes. Então, na nossa formação, a gente tem que aprender a liderar, a comunicar, a tomar decisões, e tem que ser decisões rápidas, porque são pacientes críticos que chegam à terapia intensiva.”

Médica intensivista formada na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, atuou em segurança do paciente, análise de óbitos e formação de profissionais antes de assumir a direção do primeiro hospital paraense dedicado exclusivamente às mulheres.

Assistir à entrevista
Cristiana Braga, gestora do PSM da 14

Cristiana Braga

Gestora · PSM Mário Pinotti (PSM da 14) · No cargo desde agosto de 2026

Cristiana Braga, gestora do PSM Mário Pinotti (PSM da 14). Foto: Cristiano Pantoja

“Você ser gestora de um pronto-socorro, de um hospital, uma gestão em saúde, você está cuidando do amor de alguém.”

Administradora com pós-graduação em Gestão Pública e mestrado em andamento na UFPA, veio da auditoria e da gestão municipal. No Pronto-Socorro do Guamá, qualificou 1.980 servidores em um ano e seis meses.

Assistir à entrevista

Na linha de frente do pronto-socorro

Enquanto Nelma acompanha a consolidação de um hospital especializado, Cristiana inicia uma nova etapa profissional no comando do PSM da 14. Ela assumiu a gestão em agosto de 2026, após passar um ano e seis meses à frente do Pronto-Socorro do Guamá.

A gestora, formada em Administração, possui pós-graduação em Gestão Pública, cursos na área de auditoria e atualmente cursa mestrado em Geofísica Aplicada à Saúde pela Universidade Federal do Pará.

Antes de chegar à gestão municipal atual, Cristiana também trabalhou com auditoria e foi secretária de Saúde de um município.

“Eu acredito que todo dia nós estamos aqui para aprender alguma coisa. Então eu me foco em dizer que amanhã eu tenho que saber um pouquinho mais do que eu sei hoje”, afirma.

A busca por qualificação, segundo ela, também é levada para dentro das equipes. Durante o período em que esteve à frente do Pronto-Socorro do Guamá, Cristiana conta que 1.980 servidores foram qualificados.

“Eu gosto muito de levar isso à equipe também. Lá no Pronto-Socorro do Guamá, nós fizemos a qualificação desses servidores em um ano e seis meses que eu estive lá, e aqui, com certeza, não irá ser diferente”, relata.

Agora, a expectativa é levar o mesmo modelo de capacitação para o PSM da 14.

“Uma grande missão. Onde as demandas são maiores do que a oferta. A complexidade, o Pronto-Socorro da 14 é um pronto-socorro de alta complexidade.”
Cristiana Braga, gestora do PSM da 14

Um desafio de mais de 100 anos

Assumir a gestão do PSM da 14 significa comandar uma unidade com uma longa história e que recebe pacientes de diferentes municípios.

“Uma grande missão. Onde as demandas são maiores do que a oferta. A complexidade, o Pronto-Socorro da 14 é um pronto-socorro de alta complexidade”, define Cristiana.

A gestora explica que a administração da unidade envolve limites relacionados à escala de profissionais e à estrutura disponível para atender às demandas. Segundo ela, há um número máximo de plantões para diferentes categorias, enquanto a gestão orçamentária está vinculada à Secretaria Municipal de Saúde.

“O teto do hospital, ele é teto de plantões. Nós temos um teto de plantão médico, teto de plantões administrativos, teto de plantões de enfermeiro e técnicos. Mas a parte de orçamento fica toda ligada na Secretaria de Saúde”, explica.

A unidade funciona como uma das principais portas de entrada da rede de urgência e emergência de Belém, recebendo pacientes com diferentes perfis e necessidades.

Para a nova gestora, um dos principais objetivos é melhorar a qualidade do serviço oferecido tanto aos pacientes quanto aos profissionais.

“Eu irei dar o máximo de mim, porque gestão pública, o Pronto-Socorro da 14 é um pronto-socorro de mais de 100 anos de idade”, afirma.

Cristiana também destaca que a gestão não deve olhar apenas para quem procura atendimento, mas para quem trabalha na unidade.

“Fazer com que a equipe se sinta acolhida e respeitada. Eu acredito que respeitar a equipe, porque ninguém faz nada sozinho”, diz.

Linha do tempo

Trinta anos de promessas para quem envelhece

  1. 1994

    Política Nacional do Idoso

    Marco legal inicial — descreva o efeito local.

  2. 2003

    Estatuto do Idoso

    O que mudou no atendimento hospitalar em Belém.

  3. 2013

    Primeiro centro de referência 60+ do Pará

    Contexto e capacidade.

  4. 2020

    Pandemia

    O choque de custos e a reorganização das direções.

  5. 2026

    O ponto de virada

    Onde a reportagem encontra o sistema hoje.

Mapa

As unidades ouvidas pela reportagem

Mapa: OpenStreetMap · selecione a unidade ao lado

Unidade selecionada

Hospital da Mulher do Pará (HMPA)

Bairro
Belém (PA)
Capacidade
Atendimento especializado à saúde da mulher
Gestora
Nelma Machado, diretora-geral
Ver no Google Maps

Mulheres diante de grandes desafios

Apesar das responsabilidades e da complexidade das funções, as duas gestoras afirmam não ter enfrentado diretamente barreiras para chegar aos cargos que ocupam.

Nelma, porém, reconhece que durante a sua trajetória já esteve em ambientes nos quais a presença feminina foi minoria.

“Eu estive em mesas onde a única mulher era eu. A única mulher gestora naquela mesa com 12, 15 homens”, lembra.

Segundo ela, esse cenário vem mudando ao longo dos anos. Para a gestora, a preparação profissional também é fundamental para que as mulheres possam ocupar espaços de comando.

“Ela tem que querer. Porque você vai abrir mão de muitas coisas”, afirma.

Cristiana também acredita que a qualificação e a competência profissional são fundamentais para a construção de uma carreira de liderança.

“Eu acredito que quando a gente fala de profissionalismo e, com o tempo, vai adquirindo uma certa competência, se profissionalizando, barreiras, no meu caso, não existem”, avalia.

Galeria

Bastidores da reportagem

Nelma Machado, diretora-geral do HMPA, durante entrevista à reportagem em seu gabinete, em Belém.A diretora-geral do HMPA na rotina de trabalho na unidade, em Belém.Nelma Machado nos corredores do HMPA, onde conduz a gestão da unidade de saúde da mulher.Cristiana Braga em entrevista à reportagem no Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, o PSM da 14 de Março.Retrato de Cristiana Braga, gestora do PSM da 14 de Março, em Belém.Campanha do Agosto Lilás, voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Nelma Machado, diretora-geral do HMPA, durante entrevista à reportagem em seu gabinete, em Belém. Foto: Cristiano Pantoja

01/06

Força, responsabilidade e amor ao próximo

Para Cristiana, assumir uma posição de liderança na saúde exige mais do que conhecimento técnico. A gestora aponta força de vontade, foco, responsabilidade e, principalmente, cuidado com as pessoas.

“Você ser gestora de um pronto-socorro, de um hospital, uma gestão em saúde, você está cuidando do amor de alguém”, destaca.

A mesma preocupação com o aspecto humano aparece na fala de Nelma. Para ela, uma das principais dificuldades da gestão está justamente em equilibrar acolhimento e firmeza nas decisões.

“O desafio maior é a gente equilibrar esse humano. A mulher tem o lado da maternidade, o acolher”, explica.

No entanto, ela ressalta que sensibilidade não significa deixar de tomar decisões difíceis. Para isso, utiliza ferramentas de gestão, protocolos, indicadores e critérios de priorização.

“Esse equilíbrio a gente consegue utilizando ferramentas de gestão, ferramentas de feedback, ferramentas onde você deixa claramente o que você quer, de que forma você vai me entregar, em quanto tempo”, afirma.

Simulador

Quanto custa envelhecer em Belém

Arraste as barras e veja o peso do cuidado sobre a renda mensal. Atenção: os valores de referência ainda são provisórios — substitua pelos preços apurados (plano, consulta particular, medicamento e diária de cuidador em Belém) antes de publicar.

Custo mensal estimado

R$ 933

Equivale a 39% da renda informada.

Plano de saúde
R$ 522
Consultas e exames
R$ 80
Medicamentos
R$ 331
Cuidador
R$ 0

Metodologia: valores de referência coletados em Belém em 2026, corrigidos por idade. Estimativa, não substitui orçamento individual.

O olhar feminino na gestão

Para as duas gestoras, a presença feminina pode contribuir para uma abordagem mais humanizada na administração dos serviços de saúde. Cristiana acredita que as mulheres possuem um olhar diferenciado para os pacientes e para as equipes.

“Eu acredito que a mulher tem um olhar diferenciado. A mulher, por ter o espírito materno, ela tem um olhar diferenciado para o paciente, para as pessoas com as quais estão trabalhando”, afirma.

Ela ressalta que esse olhar não depende necessariamente da maternidade. “Às vezes a mulher pode até não ser mãe, mas isso é instinto. É o nosso instinto, nós temos instinto materno”, completa.

Para a gestora, esse cuidado também aparece na maneira como se relaciona com os profissionais.

“Eu, pelo menos, trato as pessoas que trabalham comigo carinhosamente como se fossem da minha família”, conta.

“Eu acredito que a mulher tem um olhar diferenciado. A mulher, por ter o espírito materno, ela tem um olhar diferenciado para o paciente, para as pessoas com as quais estão trabalhando.”
Cristiana Braga, gestora do PSM da 14

Humanização como parte da gestão

A preocupação com a humanização aparece como um ponto em comum entre as duas experiências. No PSM da 14, Cristiana considera que o atendimento humanizado deve estar presente não apenas na saúde, mas em qualquer relação de atendimento.

“Eu acho que o atendimento humanizado é fundamental em qualquer lugar, não só na saúde, em qualquer tipo de atendimento”, afirma.

Para ela, respeito e bom atendimento são formas de humanização que precisam fazer parte da rotina.

“Isso se chama humanização também, o bom atendimento, o respeito ao próximo”, resume.

No HMPA, Nelma também trabalha com a perspectiva de que pacientes, familiares e profissionais precisam estar inseridos em uma gestão que escuta e acompanha as necessidades de cada grupo.

A gestora conta que costuma circular pelas unidades, conversar com as equipes e analisar indicadores, ouvidorias e pontos de melhoria.

“Eu gosto muito de conversar com as equipes”, relata.

Segundo Nelma, a gestão é construída de forma coletiva.

“Eu estou à frente da diretoria geral, mas é uma construção conjunta de todos. Eu sempre falo para eles: vocês são co-gestores. Então, o meu resultado é o resultado de vocês, o resultado de vocês é o meu resultado”, afirma.

Hub multimídia

As entrevistas em vídeo

Liderar também é abrir caminhos

As histórias de Ana Magda, Nelma e Cristiana mostram diferentes perspectivas dentro da saúde pública: a de quem precisa do serviço, a de quem administra um hospital especializado e a de quem assume a responsabilidade por uma unidade de urgência e emergência.

De um lado, Ana Magda representa as pacientes que chegam ao hospital em busca de atendimento e encontram uma estrutura que, segundo ela, transmite segurança, organização e acolhimento. De outro, Nelma reúne mais de três décadas de experiência no SUS e acompanha a construção de um hospital dedicado exclusivamente às mulheres. Cristiana, por sua vez, inicia uma nova etapa à frente de um pronto-socorro centenário, levando para a unidade a experiência adquirida em diferentes áreas da gestão pública.

Para Nelma, a chegada ao HMPA representa a possibilidade de colocar em prática tudo o que aprendeu ao longo da carreira.

“Eu digo que é um presente de Deus para mim”, resume.

Cristiana, por sua vez, encara o novo desafio com a expectativa de melhorar o atendimento e fortalecer as equipes.

“Nós somos uma grande família aqui, que estamos tentando acolher e dar o melhor tratamento para todos aqueles que entram aqui”, afirma.

Mais do que ocupar cargos de comando, as experiências mostram como a presença feminina na gestão pública pode representar novas formas de liderar, com preparo técnico, responsabilidade, acolhimento e atenção às necessidades de quem está dos dois lados do atendimento: pacientes e profissionais.